MulherNaoPresta

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Papo de Menina

with 7 comments

Por @nickybuzatto

– Então deixa eu entender.

– Humm?

– Você está, oficialmente, dando uma chance pro tímido.

– Exatamente.

– Por quê?

– Porque eu me sinto no controle.

– Explica, quero entender.

– Quando a gente flerta, tudo que eu preciso fazer é mandar os sinais corporais certos e esperar ele reagir segundo a minha vontade.

– Meu Deus, você é uma manipuladora!

– Hahaha. Sou nada! Eu só me sinto segura desse jeito, é simples assim.

– Hummmmmmmmm…

– O quê?

– Segura? Será?

– Explica você, agora.

– Hummmmm… Como chama aquele outro menino?

– O Edu?

– Isso. O Eduardo. Por que você gostava dele mesmo?

– Ah… Ele é diferente.

– Como?

– Eu não faço esforço consciente. Ele fala comigo e o ar fica pesado na hora.

– Pesado?

– Tá. Pesado não. Sei lá. A gente se conheceu pela internet e já rolava aqueles comentários com entrelinhas perigosas.

– Perigosas?

– Sim. Depois a gente se conheceu pessoalmente por causa de um amigo em comum.

– E o que você sentiu?

– Eu perdi o ar. Olhar pra ele é bom… Conversar com ele também é…. Mas o jeito que ele me olha enquanto conversa comigo é… Uou, não dá nem pra explicar!

– Hummmm…

– O nível de tesão é 8,5. Tem picos de 9,9 facilmente.

– E o tímido… Como chama mesmo?

– Guilherme.

– Qual o nível de tesão?

– 7,5. Raros picos de 8,5. Mas ele é doce, divertido, cavalheiro… O Gui me acalma, o Edu me acelera.

– Com quem você se sente mais à vontade?

– O Edu me deixa à vontade porque não fica me perguntando as coisas ou me consultando toda hora. Ele diz “vamos pra tal lugar” em vez de “pra onde você quer ir?”

– O Gui não faz isso?

– Não. Ele é uma gracinha. Abre a porta do carro e tudo.

– Mas…

– Mas…

[ silêncio ]

Pessoas controladoras têm um fraco mortal por pessoas que sabem controlá-las.

Continuou.
– …mas não sei se eu quero que ele abra a porta do carro.

– Quer o quê?

– Que ele olhe pra mim como se estivesse me mandando abrir as pernas.

– Óbvio que é assim com o Edu. Você gosta dele.

– Gosto nada. É só tesão, eu não me apaixonaria por ele.

– Mas só pensa nele.

– Hummmmmm.

– Você acha que flerta quando é você quem toma as titudes, mas não é só assim que funciona.

– Conta mais.

– Quando você aceita uma provocação, está flertando. Você pode muito bem não responder quando ele diz “oi”… Pode muito bem bloquear o menino no MSN… Mas você dá corda. Ele te instiga, Isa. E cada vez que ele te abraça e você gosta, você está flertando. Quando ele é grosso e você fica bravinha, você está flertando. Você não tem controle do que sente por ele, e gosta do controle que ele tem sobre você…

[ silêncio ]

– Não gosto de ficar indefesa.

– Isso não é ficar indefesa. É ficar vulnerável. E é normal.

– É novo pra mim.

Vrrrrrrrrrr. O celular, que estava sobre a mesa, vibra.

* 2 Novas Mensagens *

Leu a primeira e sorriu de um jeito doce.
Leu a segunda e sorriu com o canto da boca.

– Olha isso. “Passei em frente a Casper, lembrei de você. Mas não preciso de muito pra pensar em você, mesmo… Beijo.”

– Que gracinha. E a outra, do Edu?

– Sou tão previsível assim?

– Eles é que são.

– Festa de aniversário dele amanhã. A mensagem: “Não esquece do meu presente: você num vestido vermelho e cabelo preso.”

– Qual você vai responder?

– Hummmmmm…

Ela colocou o celular de volta na mesa e não respondeu nenhuma. Era uma mulher decidida, era ridículo escolher entre dois caras. Não era?

Laura voltou pra casa dela e Isabela ficou uns 20 minutos pensando que o Gui merecia uma chance.

Falou pra si mesma que não deixaria um cachorro controlador entrar em sua mente.

Isso mesmo! Não ia permitir que um cara — por mais intrigante, sedutor e narigudo que fosse — deixasse-a vulnerável.

Era ela quem mandava. Era ela quem dava as cartas. Era ela quem deixava os caras subindo pelas paredes, não o contrário.

Encheu a taça com vinho tinto e bebeu de uma vez só, enquanto ouvia Piazzolla.

Pegou o celular. Leu novamente cada uma das 93 mensagens nas caixas de entrada e saída.

“Você é racional, garota. Você é racional, garota. Você é racional, garota…” Quase um mantra pra si mesma.

Ela não teria tempo de transformar aquela mentira, por mais vezes que fosse repetida, em verdade…

Pegou o celular e digitou.

“Preciso de ajuda!”

A resposta veio quase instantaneamente.

“Ajuda? Por quê?”

“Tô em casa, sozinha, e preciso de ajuda. Em qnto tempo vc chega aqui?”

Nenhuma resposta. Exatamente como ela esperava. O interfone do prédio tocou depois de 20 minutos. Tempo suficiente pra colocar o tal do vestido vermelho, meia 7/8 preta, prender o cabelo e uma maquiagem que deixava seu olho mais claro.

DING DONNNNG.

Respirou fundo antes de abrir a porta.

Ele mal respirava.

– Que bom que você veio.

– Você parecia desesperada.

Estrou hipnotizado.

– É que eu precisava testar a maquiagem pra festa de amanhã.

Ele sentou no sofá.
— Umhummm.

Ela sentou sobre ele, tomando seu rosto com as mãos.

– Acontece que o ziper — um beijo na testa dele — do meu vestido — outro na ponta do nariz — travou. Não dá pra abrir.

Beijou o pescoço dele de leve, enquanto soprava em seu ouvido.

– Você pode, por favor, — fez a carinha mais inocente que sabia fazer — me ajudar a abrir?

Ele rolou com ela até trocarem de posição. Ela embaixo, ele em cima.
Isabela ficou assustada com a reação, esperava que ele fosse mais delicado.
O nível de tesão com ele chegou a 10!

Claro, como um bom cavalheiro, ajudou-a.

Primeiro, com o ziper do vestido… Depois com as meias 7/8… Ajudou com o tapete da sala, limpo demais… Com a roupa de cama, arrumadinha demais…
Tentou ajudar com o apetite dela, mas este era insaciável demais!

Depois de umas 2 horas de ajuda mútua, ele teve que ir embora.

– Amanhã a gente se vê na festa.

– Sim, senhor.

O último beijo na porta, entre sorrisos bobos.

– E obrigada pela ajuda.

Ele sorriu.

– Eu jamais deixaria uma dama em apuros. — Outro beijo com gosto de quero mais. — Boa noite, Isa.

– Boa Noite, Gui.

Ela definitivamente não se arrependera de se entregar aos desejos do seu “eu” manipulador, controlador e auto-protetor.

E definitivamente se surpreendeu com o menino tímido.


Edu pegou o celular e viu que tinha uma mensagem não-lida. Quem mais mandaria mensagens às 2:15 am? Só podia ser…

“Te vejo daqui 20 horas. Meu vestido está delicioso. Isa”

Written by mulhernaopresta

10/05/2010 às 4:18

Publicado em Comportamento

7 Respostas

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  1. =)

    Mather

    11/05/2010 at 4:09

  2. =)

    Nicky

    11/05/2010 at 4:10

  3. 😀 … Adorooooooo!!!!

    Melissa

    28/06/2010 at 22:55

  4. adorei este texto!!! Nossa, maravilhoso! Posso postar no meu blog??? Com os devidos créditos??????????? Espero resposta!
    http://elas-querem.blogspot.com/
    bj

    Manu Curty

    03/08/2010 at 2:53

  5. hahaha! Adorei! so true!

    aline

    20/10/2010 at 1:56

  6. Nossa, adorei o post. Super Tudo a Ver, até mesmo a parte
    do narigudo! Rsrs

    Thaís

    03/01/2011 at 17:07


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